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  • Cláudio Giordano

Luiz Pereira Barreto, pioneiro da Viti-vinicultura no Brasil.

Atualizado: 22 de Out de 2020

Luiz Pereira Barreto é figura extraordinária de nossa história: filósofo, médico, cientista, biólogo, político, agrônomo, jornalista, notabilizou-se no exercício de todas essas qualificações; e, lembrou-me o amigo Luís Eduardo Pio Pedro, não foi menos significativa sua atuação na área vini-vitífera, isto é, da vinha e do vinho.


Filho de fazendeiros abastados, nasceu Luiz Pereira Barreto em Resende (RJ-1840) e faleceu em São Paulo (SP-1923). Aos 15 anos viajou para a Europa, ingressou na Universidade de Bruxelas e em 1865 é doutor em medicina e ciências naturais.



De volta ao Brasil, instala-se como médico em Jacareí (SP), avançando aos poucos na política. Escreve e publica (1874/1876) em dois volumes a obra As Três Filosofias, calcada toda na teoria positivista de Comte, de quem se sagrou discípulo e divulgador. Por essa época adentra no campo da agricultura e torna-se exitoso cafeicultor. Em 1880 dedica-se à campanha de saneamento público no combate às epidemias, em especial, à febre amarela.


Como político ingressa no Partido Republicano e defende suas ideias em artigos publicados em A Província de São Paulo (mais tarde O Estado de S. Paulo). Muda-se de Jacareí para a capital paulista e acaba dono, na região de Pirituba, de um sítio de 110 alqueires onde vicejam 40 mil pés de café e 10 mil videiras. Acompanhando atento as recentes experiências de Pasteur na viticultura, envia carta ao diretor da Escola de Viticultura de Lião, Victor Pulliat, solicitando exemplares de uma variedade rústica de uva. Recebidas as mudas, cultivou-as; um ano depois, ao invés de carta comunicando seus resultados, remeteu ao mesmo cientista cachos de uva legitimamente europeia, frutos magníficos que causaram surpresa na França, após notícia na imprensa. O doutor Pulliat, encantado, escreveu ao diretor da Escola Agrícola de Montpellier, professor Foex, dizendo: Acabo de receber uns cachos de uvas que me mandou o Dr. Barreto, de São Paulo. Se o Brasil tivesse meia dúzia de homens como o Dr. Barreto, a viticultura europeia estaria vencida”.


Segundo Pereira Barreto, o europeu não considerava a vinha como um arbusto qualquer, mas como uma verdadeira pessoa, um membro da família, uma segunda companheira que sempre amou e adorou. Estava convencido de que o Brasil podia produzir não apenas café e borracha, mas também vinho e com isso atrair o colono europeu em emigração voluntária.


Dessa forma, transformou o sítio de Pirituba em verdadeira estação experimental agrícola, chegando a reunir mais de 400 variedades de uvas, provindas da França, Portugal, Inglaterra, Alemanha, Síria, entre outros países.


O êxito das videiras de Pereira Barreto foi publicamente apresentado e louvado em 1897, quando da realização em São Paulo da “Exposição das Uvas”, patrocinada por Dona Veridiana Prado.


Eis o registro que nos deixou desse episódio o médico e poeta Martins Fontes, em seu livro Nós, as abelhas (São Paulo, 1936, pp. 82-84):


“A propósito da prodigiosa ‘Festa da Uva’, realizada em Jundiaí, no decorrer do mês de Janeiro de 1934.

Há trinta e sete anos [1897, portanto], durante a fase da vinicultura de Pirituba, houve em São Paulo uma grande exposição de uvas colhidas ali, na chácara do notável sonhador Luís Pereira Barreto, que nesta conquista enterrara duas fortunas enormes. Patrocinava o certame a veneranda paulista Dona Veridiana Prado. Tornou-se a exposição uma festa elegante e mundana e, no último dia, os lindos cachos foram a leilão, em benefício da Santa Casa, tendo todos alcançado preços altíssimos, de contos de réis. O divino Olavo Bilac passava então por São Paulo e escreveu, a este respeito, uma ode espirituosa, conservada de cor por mim e por Veiga Miranda, na qual, glorificadoramente, Pereira Barreto é abençoado como um Gênio.



A Naturalização de Baco


Alto Padre, Lyeu, Pai das Bacantes,

que ao consumo presides

dos cachos odorantes,

das pampanosas vides!

Ó grande Baco, aluno de Silêno,

gordo, imberbe e formoso!

Tu, que entre as ninfas nísias, em pequeno,

eras um beberrão escandaloso!

Tu, que arrastado ao passo das panteras,

espalhando pifões pelo caminho,

engrinaldado de sarmentos e heras,

à Índia levaste a fama do bom vinho!

Tu, ó Pai da Alegria,

da Brasília Nação, que enfim conheces,

neste radioso dia,

a gratidão mereces!

Porque, já fatigado

de reinar no estrangeiro,

vejo-te, ó Baco, naturalizado

cidadão brasileiro!

Do Prata ao Amazonas

e do Atlântico ao Andes,

patrióticas monas

vão retumbar frenéticas e grandes!

Vão desabar com mais intensidade,

mais frequentes, as chuvas,

já que - ó felicidade! - vamos ter boas uvas!

Já não há vinho que nos envergonhe:

não beberemos Verde, nem Collares,

nem Bordeaux, nem Marsala, nem Bourgogne,

vindos de além dos mares!

Hoje, se o copo a minha mão levanta,

da escravidão antiga não me lembro:

- já me raiou, enfim, para a garganta,

o Sete de Setenbro!

Salve, fulvo clarão da Independência!

Salve, nobre conquista!

Poderemos beber sem indecência:

a sede é nativista!

E em prantos de ventura me derreto,

vendo-te, ó Baco, naturalizado,

graças ao Gênio do Doutor Barreto,

graças a Dona Veridiana Prado.


Fantásio”

(pseudônimo de OLavo Bilac)



Especializou-se Pereira Barreto a tal ponto em viticultura e enologia que por mais de dez anos colaborou na imprensa europeia (França em especial), instruindo os viticultores do velho mundo. Sobre viticultura publicou: La Viticulture à Sant Paul (1888); A Vinha e a Civilização (1896); A Arte de Fabricar o vinho - Manual do Vinicultor (1900).

Estas informações que o leitor acaba de ler foram extraídas de textos divulgados na Internet por José Eduardo de Oliveira Bruno e Hélio Begliomini. Fechando seu artigo, diz Begliomini: “Luiz Pereira Barreto foi um homem estupendo e de personalidade multifária. Além de médico, cirurgião, filósofo, político, cientista, agricultor e jornalista, foi um idealista, humanitário, pioneiro e patriota, que, em todas as mais diversas frentes de atividades onde atuou, destacou-se como operoso, sábio, erudito e honesto”.



As obras e escritos de Luiz Pereira Barreto são muito raros. A BVReppucci possui exemplar de A Arte de Fabricar o Vinho - Manual do Vinicultor, em cujo prefácio explica o autor que foi encarregado pelo Secretário da Agricultura do estado de Minas para escrever a obra destinada a ser distribuída aos vinicultores mineiros. Dadas as dificuldades mentais e práticas que atrapalham sempre toda indústria nascente, escreve ele, foi-lhe recomendado acima de tudo clareza de exposição: “pôr em mãos do vinhateiro noviço um livro resumido, que lhe servisse de instrumento de trabalho, ensinando em termos claros e precisos a técnica das operações vinárias, dando a toda a arte de fabricar o vinho um cunho prático, sem todavia sacrificar completamente o fio teórico que inspira e dirige toda a obra da vinificação.”


E prossegue: “Resumir com clareza não é fácil tarefa. Posso apenas garantir que meditei longamente sobre o assunto, no empenho de conseguir leitores, conciliando em seu benefício a exatidão com a brevidade da exposição. Procurei o mais possível implantar entre nós como rotina científica a arte e a ciência enológicas.


Mas o fiz de modo que, mesmo dentro da rotina, os nossos mais modestos vinicultores fiquem sabendo a razão teórica pela qual o vinho ora sai bom, ora sai ruim, e assim possam remover os obstáculos de futuro. À rotina tenebrosa que ainda impera na maior parte dos países vinhateiros da Europa, procurei substituir uma rotina racional, baseada na ciência, e segundo a qual poderão todos gozar dos inestimáveis serviços que as descobertas de Pasteur derramam por toda a parte. Com este seguro ponto de partida, os nossos noveis vinhateiros entram na luta muito melhor armados, desembaraçados de prejuízos seculares.


No estado de Minas já se fabrica atualmente bastante vinho, bem tolerável, bem potável, bem merecedor da atenção dos poderes públicos como indústria que se afirma pedindo proteção contra a criminosa concorrência das falsificações.


Tão somente por falta de elementares conhecimentos exatos sobre a matéria, deixam os mineiros, todos os anos, perder grande parte de suas vindimas, por não saberem prevenir, nem curar as moléstias próprias do vinho.”





Bastaram 140 páginas para Luiz Barreto desenvolver as técnicas da produção de vinho, em linguagem clara e desataviada, e capítulos curtos, objetivos e suportados por sólida bibliografia (a BVR possui dez das onze obras arroladas por ele na bibliografia).


Em que pese haver até cidade com o nome de Pereira Barreto, a figura de Luiz Pereira Barreto e sua competente e ampla contribuição em todas as áreas em que atuou padece ainda de divulgação. Como é o caso aqui lembrado de sua notável atuação na área da viti-vinicultura.






Luiz Pereira Barreto, pionero de la vitivinicultura en Brasil



Luiz Pereira Barreto es una figura extraordinaria en nuestra historia: filósofo, médico, científico, biólogo, político, agrónomo, periodista, se destacó en el ejercicio de todas estas titulaciones, y, me recordó mi amigo Luís Eduardo Pio Pedro, su actuación en el ámbito vitivinícola, es decir, en la viña y el vino, no fue menos significativa.

Hijo de ricos agricultores, Luiz Pereira Barreto nació en Resende (RJ-1840) y murió en São Paulo (SP-1923). A los 15 años viajó a Europa, se incorporó a la Universidad de Bruselas y en 1865 se doctoró en Medicina y Ciencias Naturales.


De regreso a Brasil, se instala como médico en Jacareí (SP), avanzando poco a poco en la política. Escribe y publica (1874/1876), en dos volúmenes, la obra As Três Filosofias, basada íntegramente en la teoría positivista de Comte, de quien se convierte en discípulo y promotor. En ese momento ingresó al campo de la agricultura y se convirtió en un exitoso productor de café. En 1880 se dedicó a la campaña de saneamiento público para combatir las epidemias, especialmente la fiebre amarilla.

Como político se afilió al Partido Republicano y defendió sus ideas en artículos publicados en La Provincia de São Paulo (más tarde O Estado de S. Paulo). Se traslada de Jacareí a la capital de São Paulo y acaba siendo dueño, en la región de Pirituba, de una finca de unas 250 hectáreas donde prosperan 40.000 cafetos y 10.000 vides. Siguiendo de cerca las recientes experiencias de Pasteur en viticultura, envía una carta al director de la Escuela de Viticultura de Lyon, Victor Pulliat, solicitando copias de una variedad de uva rústica. Después de recibir las plántulas, las cultivó; un año después, en lugar de una carta comunicando sus resultados, envió al mismo científico racimos de uvas legítimamente europeas, magníficas frutas que causaron sorpresa en Francia, tras la noticia en la prensa. El Dr. Pulliat, encantado, escribió al director de la Escuela Agrícola de Montpellier, profesor Foex, diciendo: “Acabo de recibir un racimo de uvas que me envió el Dr. Barreto, de São Paulo. Si Brasil tuviera media docena de hombres como el Dr. Barreto, vencería a la viticultura europea ”.

Según Pereira Barreto, el europeo no consideraba al viñedo como un arbusto cualquiera, sino como una persona real, un miembro de la familia, un segundo compañero que siempre amó y adoró. Estaba convencido de que Brasil podía producir no solo café y caucho, sino también vino y así atraer al colono europeo en emigración voluntaria.

De esta manera, transformó el sitio de Pirituba en una verdadera estación agrícola experimental, reuniendo más de 400 variedades de uva, provenientes de Francia, Portugal, Inglaterra, Alemania, Siria, entre otros países.

El éxito de las viñas de Pereira Barreto fue presentado y elogiado públicamente en 1897, cuando se realizó la “Exposición de Uvas” en São Paulo, patrocinada por Doña Veridiana Prado.

Aquí está el registro que dejó el médico y poeta Martins Fontes de este episodio, en su libro Nós, as abelhas (São Paulo, 1936, pp. 82-84):

"Con respecto a la prodigiosa 'Festa da Uva', celebrada en Jundiaí, durante el mes de enero de 1934.


Hace treinta y siete años [1897, por tanto], durante la etapa vitivinícola de Pirituba, hubo en São Paulo una gran exhibición de uvas recolectadas allí, en la finca del notable soñador Luís Pereira Barreto, quien en esta conquista había enterrado dos enormes fortunas. El acto fue patrocinado por la venerable paulista Doña Veridiana Prado. La exposición se convirtió en una fiesta elegante y mundana y, en el último día, los hermosos racimos salieron a subasta, en beneficio de Santa Casa, habiendo logrado precios altísimos, en miles de reales. El divino Olavo Bilac, que pasaba entonces por São Paulo, escribió, al respecto, una oda ingeniosa, conservada de corazón por mí y Veiga Miranda, en la que, gloriosamente, Pereira Barreto es bendecido como un genio.



La naturalización de Baco



Alto Padre, Lyeu, Padre de las Bacantes,

que presides el consumo

de los fragantes racimos,

de las pampanosas vides!

Oh gran Baco, alumno de Sileno,

gordo, imberbe y hermoso!

Tú, entre las ninfas de Nisia, de pequeño,

¡Eras un borracho escandaloso!

Tú, que arrastrado al paso de las panteras,

repartiendo mucho dinero en el camino,

coronado de sarmientos y trepadoras,

a la India llevaste la fama del buen vino!

Tú, Padre de la Alegría,

de la Nación Brasileña, que finalmente conoces,

en este radiante día,

la gratitud que te mereces!

Porque ya cansado

de reinar en el extranjero,

Te veo, oh Baco, naturalizado

Ciudadano brasileño!

Del Plata a Amazonas

y del Atlántico a los Andes,

monas patrióticas

¡resonarán frenéticamente y en grande!

Caerán con más intensidad,

más frecuentes las lluvias,

ya que - ¡Oh felicidad! - ¡Tendremos buenas uvas!

Ya no hay vino de qué avergonzarse:

no beberemos Verde ni Collares,

ni Burdeos, ni Marsala, ni Borgoña,

viniendo de más allá de los mares!

Hoy, si la copa levanta mi mano,

de la vieja esclavitud no me acuerdo:

- ya me llegó, finalmente, a la garganta,

¡el Siete de Septiembre!

¡Salve, resplandor de la Independencia!

¡Salve, noble logro!

Podemos beber sin indecencia:

la sed es patriotica!

Y en lágrimas de felicidad me derrito

viéndote, oh Baco, naturalizado,

gracias al genio del doctor Barreto,

gracias a Doña Veridiana Prado.

Fantase ”

(seudónimo de OLavo Bilac)


Pereira Barreto se especializó en viticultura y enología hasta tal punto que durante más de diez años colaboró ​​en la prensa europea (Francia en particular), formando a productores de vino del viejo mundo. Sobre viticultura publicó: La Viticulture à Sant Paul (1888); La viña y la civilización (1896); El arte de hacer vino - Manual del enólogo (1900).

Esta información que acaba de leer el lector fue extraída de textos publicados en Internet por José Eduardo de Oliveira Bruno y Hélio Begliomini. Cerrando su artículo, Begliomini dice: “Luiz Pereira Barreto fue un gran hombre y con una personalidad multiforme. Además de médico, cirujano, filósofo, político, científico, agricultor y periodista, fue un idealista, humanitario, pionero y patriota, quien, en los más diversos frentes de actividades donde trabajó, se destacó como trabajador, sabio, erudito y honesto. ”.



Las obras y escritos de Luiz Pereira Barreto son muy raros. BVReppucci tiene un ejemplar de A Arte de Fabricar o Vinho - Manual do Vinicultor, en cuyo prefacio explica el autor que fue encargado por la Secretaría de Agricultura del estado de Minas Gerais para redactar la obra destinada a ser distribuida a los enólogos de Minas Gerais. Dadas las dificultades mentales y prácticas que siempre obstaculizan a toda industria naciente, escribe, se le recomendó sobre todo por claridad de exposición: “poner en manos del enólogo novato un libro breve que sirva como herramienta de trabajo, enseñando en términos claros y precisos la técnica de las operaciones del vino, dando a todo el arte de hacer vino una impronta práctica, sin sacrificar por completo el hilo teórico que inspira y orienta todo el trabajo enológico ”.


Y continúa: “Resumir claramente no es una tarea fácil. Solo puedo garantizar que he meditado sobre el tema durante mucho tiempo, en un esfuerzo por atraer lectores, combinando para su beneficio la precisión con la brevedad de la exposición. Intenté en la medida de lo posible implantar el arte y la ciencia enológicos entre nosotros como rutina científica.


Pero lo hice para que, incluso dentro de la rutina, nuestros enólogos más modestos conozcan la razón teórica por la que el vino es bueno a veces, y a veces malo, y así puedan eliminar obstáculos en el futuro. A la oscura rutina que aún prevalece en la mayoría de los países vitivinícolas de Europa, intenté reemplazar una rutina racional, basada en la ciencia, según la cual todos pueden disfrutar de los invaluables servicios que los descubrimientos de Pasteur derraman en todas partes. Con este punto de partida seguro, nuestras filas vitivinícolas entran en la lucha mucho mejor armadas, libres de prejuicios seculares.

En el estado de Minas se está elaborando actualmente mucho vino, muy tolerable, muy potable, bien merecedor de la atención de las autoridades públicas como industria que dice estar pidiendo protección contra la competencia criminal de las falsificaciones.

Solo por la falta de conocimientos elementales y exactos al respecto, dejan que los mineiros, todos los años, pierdan gran parte de sus cosechas, porque no saben cómo prevenir o curar las dolencias inherentes al vino ”.






140 páginas le bastaron a Luiz Barreto para desarrollar las técnicas de elaboración del vino, en un lenguaje claro e inequívoco, con capítulos cortos y objetivos apoyados en una sólida bibliografía (la BVR tiene diez de las once obras que él enumera en la bibliografía).


A pesar de que existe incluso una ciudad con el nombre de Pereira Barreto, la figura de Luiz Pereira Barreto y su competente y amplia aportación en todos los ámbitos en los que trabajó todavía sufre de falta de divulgación. En este caso, lo recordadamos por su notable desempeño en el campo de la viticultura.


Traducción de Roberto Vallasciani



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