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  • Cláudio Giordano

Um volume insólito da BVReppucci

Além da sempre lembrada passagem de Noé e sua embriaguez, a Bíblia registra dezenas de outras referências vinárias. Entre elas conta-se o pequeno e surpreendente livro Cântico dos Cânticos. Tudo é enigmático e problemático neste poema formalmente amoroso (e mesmo erótico) : autoria, interpretação, inclusão na Bíblia, traduções...

Embora hoje desacreditada, sua autoria continua sendo erroneamente atribuída a Salomão. Descartado Salomão, os estudiosos não conseguiram identificar outro possível autor, não faltando quem afirme tratar-se de montagem anônima de diversos textos eruditos. Sua inclusão entre os livros canônicos provocou longos e fervorosos debates e só se consumou com a adoção da interpretação alegórica, isto é, o Cântico simbolizaria a relação de amor estabelecida entre Deus e o crente, entre Cristo e sua Igreja.

Geraldo Holanda Cavalcanti, diplomata, intelectual, poeta, tradutor, publicou alentado ensaio intitulado O Cântico dos Cânticos - Um ensaio interpretativo através de suas traduções (EDUSP, 2005, 552pp.), que inclui também sua tradução do Cântico.

Começa Holanda Cavalcanti afirmando que nenhum texto literário em toda a história mundial recebeu tantas traduções e interpretações como o Cântico dos Cânticos; não há um só de seus versículos que não tenha sido objeto da mais extensa variedade de leituras, de tal modo que se alguém se dispusesse a editar o poema apenas com aquelas mais aberrantes, certamente produziria um texto irreconhecível.

E conclui Cavalcanti: “Ao cabo da presente análise [...] é possível dizer, sem temer contradição que, não obstante todo o esforço empregado [...] por milhares de exegetas da maior competência, não existe um só versículo do Cântico dos Cânticos que não continue a ser susceptível de debate quanto ao seu sentido e não dê margem ainda às mais variadas interpretações, muitas vezes incompatíveis entre si, e na maioria dos casos, controvertidas. [...] O texto do poema seguirá sendo para sempre um enigma.

Longe de ser desalentadora, esta conclusão reconforta e anima. O Cântico dos Cânticos permanecerá um poema aberto e enquanto o amor, em sua dupla expressão de união espiritual e carnal, florescer no coração dos homens, o Cântico dos Cânticos continuará vivo, capaz de instigar os amantes a buscarem nos seus mistérios as imagens, sempre as mesmas e sempre novas, com que se tenta descrever o inefável.”

Estas rápidas considerações sobre o Cântico dos Cânticos são feitas para comentar a inclusão na BVReppucci de exemplar absolutamente insólito de uma edição de características únicas de O Cântico dos Cânticos.

A artista plástica mineira Ângela Lago criou um poema visual inspirado no livro bíblico. É todo desenhado como se fora em terceira dimensão (inspirada na estética árabe), com exceção da página do meio — ponto em que o casal se encontra. Diz a autora: “É linda a ideia do eterno retorno, de ir e voltar, enfim de uma busca que não cessa. Usei a construção da terceira dimensão seguindo a linha da ilusão”.

O leitor pode ainda observar a relação das cores que mostram quando é dia e quando é noite. A obra possibilita diversas leituras. Lúdico, pode divertir crianças (com suas “ilusões”), adolescentes que se iniciam nos segredos do amor e os adultos que já experientes podem enxergar na obra as complexas questões existenciais” (extraído de release da editora).

Dissemos “exemplar absolutamente insólito” porque não possui texto nenhum e, portanto, nenhuma referência vocabular vinária; todavia, a moldura de uma das ilustrações é de cachos de uvas e folhas de videira...







Un volumen insólito de BVReppucci



Además del memorable trecho sobre Noé y su embriaguez, la Biblia registra docenas de otras referencias sobre vinos. Entre ellas está el pequeño y sorprendente libro Cantar de los Cantares. Todo es enigmático y problemático en ese poema formalmente amoroso (e incluso erótico): la autoría, la interpretación, la inclusión en la Biblia, las traducciones ...

Aunque esté desacreditado, su autoría todavía sigue siendo erróneamente atribuida a Salomón. Descartando Salomón, los estudiosos no pudieron identificar a otro posible autor y no faltan personas que afirmen que es un montaje anónimo de varios textos eruditos. Su inclusión entre los libros canónicos provocó largos y fervientes debates, que solo se consumó con la adopción de la interpretación alegórica, es decir, el Cantar simbolizaría la relación de amor entre Dios y el creyente, entre Cristo y su Iglesia.

Geraldo Holanda Cavalcanti, diplomático, intelectual, poeta, traductor, publicó un ensayo alentado titulado El Cantar de los Cantares - Un ensayo interpretativo a través de sus traducciones (EDUSP, 2005, 552pp.), que también incluye su traducción de la canción.

Holanda Cavalcanti comienza afirmando que ningún texto literario en toda la historia del mundo ha recibido tantas traducciones e interpretaciones como el Cantar de los Cantares; no hay ninguno de sus versos que no haya sido tema de la más extensa variedad de lecturas, por lo que si alguien estuviera dispuesto a editar el poema solo con las más aberrantes, ciertamente produciría un texto irreconocible.

Y Cavalcanti concluye: "Al final de este análisis ... es posible decir, sin temor a contradicciones, que, a pesar de todo el esfuerzo [...] realizado por miles de exégetas de la mayor competencia, no hay un solo verso del Cantar de los Cantaresque no siga siendo susceptible de debate en cuanto a su significado y no permita incluso las más variadas interpretaciones, muchas veces incompatibles entre sí y, en la mayoría de los casos, controvertidas. [...] El texto del poema seguirá siendo un enigma para siempre.

Lejos de ser frustrante, esta conclusión es reconfortante y alentadora. El Cantar de los Cantaresseguirá siendo un poema abierto y mientras el amor, en su doble expresión de unión espiritual y carnal, florezca en los corazones de los hombres, el Cantar de los Cantares seguirá vivo, capaz de incitar a los amantes a buscar las imágenes en sus misterios, siempre las mismas y siempre nuevas, con lo que se intenta describir lo inefable ".

Se hicieron estas rápidas consideraciones sobre el Cantar de los Cantares para comentar sobre la inclusión, en BVReppucci, de una copia absolutamente insólita de una edición de características únicas del Cantar de los Cantares .

La artista plástica de Minas Gerais, Ângela Lago, hizo un poema visual inspirado en el libro bíblico. Todo está diseñado como si estuviera en la tercera dimensión (inspirado en la estética árabe), excepto la página central, el punto donde se encuentra la pareja. Dice la autora: “Es hermosa la idea del eterno retorno, de ir y venir, en una búsqueda que nunca termina. Utilicé la construcción de la tercera dimensión siguiendo la línea de la ilusión ”.

El lector también puede observar la lista de colores para mostrar cuándo es de día y cuándo es de noche. La obra permite varias lecturas. Es lúdica, y así divierte a los niños (con sus "ilusiones"), a los adolescentes que comienzan con los secretos del amor y a los adultos experimentes, que pueden ver en la obra las complejas cuestiones existenciales "(extraído de la publicación del editor).

Dijimos "un ejemplar absolutamente insólito" porque no tiene ningún texto y, por lo tanto, no tiene referencias de vocabulario sobre vinos; sin embargo, el marco de una de las ilustraciones es de racimos de uvas y hojas de uva ...



Traducido por Mônica H. Reppucci.







An extraordinary volume of BVReppucci



In addition to the ever remembered episode of Noah and his drunkenness, the Bible records dozens of other wine references. Among them is the small and surprising book, the Song of Songs. Everything is enigmatic and problematic in this formally loving (and even erotic) poem: the authorship, the interpretation, the inclusion in the Bible, the translations ...

Although discredited today, its authorship is still erroneously attributed to Solomon. Discarding Solomon, scholars were unable to identify another possible author. There are even people claiming that it was an anonymous composition made of several erudite texts. Its inclusion among the canonical books provoked long and fervent debates which only ended with the adoption of the allegorical interpretation, that is, that the Song of Songs would symbolize the love relationship between God and the believer, between Christ and his Church.

Geraldo Holanda Cavalcanti, a diplomat, an intellectual, a poet, a translator, published a compelling essay entitled The Song of Songs - An interpretative essay through his translations (EDUSP, 2005, 552pp.) which also includes his translation of the Song of Songs.

Holanda Cavalcanti begins by affirming that no literary text, in the world history, has been translated and interpreted as much as the Song of Songs; there is not a single verse that hasn’t been subject of the most extensive variety of readings, so that if someone wanted to edit the poem with only the most aberrant parts, most certainly an unrecognizable text would be produced.

And Cavalcanti concludes: “At the end of the present analysis ... it is possible to say, without fearing contradiction that, despite all the effort [...] put by thousands of extremely competent exegetes, there isn’t a single verse of the Song of Songs that doesn’t continue to be susceptible to debate concerning its meaning, enabling even the most varied interpretations, often incompatible, and in most cases, controversial. [...] The poem’s text will remain an enigma forever.

This conclusion, far from being disheartening, is in fact comforting and encouraging. The Song of Songs will remain an open poem and, as long as love, with its spiritual and carnal union double expression, still blossoms in the hearts of men, the Song of Songs will continue to be alive, capable of prompting lovers to seek the images in their mysteries, always the same and always new, which one attempts to describe the ineffable. ”

These brief considerations about the Song of Songs intended to explain the inclusion, in the BVReppucci, of an absolutely unusual copy of an edition, with unique characteristics, of The Song of Songs.

Ângela Lago, a plastic artist from the state of Minas Gerais, created a visual poem inspired on the bible. It is totally pictured as if it were in the third dimension (based on the Arabic aesthetic), except for the middle page - the point where the couple meets. The artist explains: “The idea of ​​eternal return, of coming and going, in a search that never ceases, is beautiful. I used the third dimension construction to give the idea of illusion ”.

The reader can also observe the list of colors used to show when it’s day or night. The work enables several interpretations. It can be playful and amuse the children (with its “illusions”), it can amuse the teenagers which are starting the secrets of love, and it can also amuse the experienced adults who can perceive the complex existential issues in the work ”(extracted from the publisher's release).

We said “an absolutely unusual example” because it doesn’t have any writing and therefore, it doesn’t have any wine vocabulary reference; however one of the illustrations’ frame is a bunches of grapes and grape leaves ...



Translated by Mônica H. Reppucci.




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