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  • Cláudio Giordano

O vinho e sua Música



Le Vin & Sa Musique, Harmonies bordelaises — O Vinho & Sua Música, harmonias de Bordéus —, de Ylan Schwartz, é um livro insólito, senão surrealista. Mas inegavelmente é uma demonstração flagrante da capacidade da imaginação humana de concretizar (ou pelo menos tentar) o imponderável: nele o autor apresenta a (suposta) música de mais de setenta milesimes.


Eis como Ylan expõe seu trabalho:

Surgiu-me em 1985 a ideia de estabelecer uma ponte entre o vinho e a música.

Entrei em contato com produtores de Grands Crus e solicitei-lhes uma dúzia de milesimes que eu selecionara. Propus em seguida aos colegas do grupo Dégustateurs du Grand Jury analisarem os vinhos às cegas, valendo-se de método de leitura de vinho que estabeleci.


Realizada essa seleção, busquei o perfil musical que pudesse corresponder à personalidade desses vinhos, mais ou menos como se redigisse uma receita de cozinha: uma pitada de Haydn, a energia de Beethoven, a profundidade de Schubert e alguns toques da claridade solar de Mozart.


Defini depois algumas equivalências entre as dominantes degustativas e as dominantes sonoras:

o cabernet sauvignon e o violino

o cabernet franc e a viola

o merlot e o violoncelo

Munido dessas “receitas”, ouvi dezenas de obras até encontrar aquela que expressasse o mais próximo a personalidade do vinho. Finalmente, procurava expressar por escrito minhas impressões tanto do vinho quanto de Sua música.


Para completar o trabalho, restava-me casar os dois textos. Assim nasceu este livro.


Meu propósito foi fazer o leitor confrontar o turbilhão de seus sentidos de tal modo que venha a ter a sensação de passar das cores aos sabores, e dos sons aos perfumes, como se estivesse empenhado em degustar a um só tempo O Vinho e Sua Música.

Vejam-se a seguir duas amostras da inspiração eno-musical de Ylan.


Château Pichon Longueville - Comtesse de Lalande 83

Felix Mendelsshon-Bartholdy: Quarteto de cordas nº 1, em ré maior, opus 4, 1º movimento.



Cor de romã acentuadíssima e de aspecto luminoso, a vestimenta aveludada deste vinho assaz jovem prenuncia encanto e vivacidade, tamanho é o arrebatamento deste primeiro movimento rapidamente conduzido pelo primeiro violino.


Jovem e fresco, o “nariz” tem bela nobreza de porte, bem feminina. Intenso e forte, oferece aromas de flores do campo num maravilhoso final de violeta. A graça, a elegância, a vivacidade do tema musical respondem harmoniosamente a essa impressão floral e refinada.


No paladar, o ataque é vivo, franco, firme e musculoso como uma dançarina, encontrando eco maravilhoso no arrebatamento de todas as cordas.


O terrível verão do ano de 1983, em que os elementos se desencadearam, fez nascer esta jovem e intrépida cavaleira, irrequieta e apaixonada.


Os sabores de flores silvestres, suaves, o buquê refinado e deliciosamente perfumado sugerem um soberbo veludo tecido de flores olorosas, com eflúvios magníficos de violeta entrelaçados nas malhas.


Como esta música ágil, jovem, romântica e graciosa, o paladar dá provas de uma feminilidade sensual, rica de expressão, elegante, assaz misteriosa e decidida.


Este milesime 83 é o romantismo do feminino, soberbamente expresso pelo timbre e arrebatamento do violino.

Domaine de Chevalier 81

Grand cru classé

Sergueï Rachmaninov:

Estudos-quadros nº 2 em lá menor op. 33.








Esta natureza jovem e altiva, de constituição esbelta e bem delineada, está ainda cheia de si.


Enquanto o piano, sereníssimo, debulha uma música etérea, cristalina e transparente, ela apresenta uma vestimenta de tecido limão claro, debruada de ouro verde bem pálido.


Assaz reservada, ainda avara de expressão, ela oculta ciosamente o coração de sua personalidade aromática, enquanto a música, crescendo, ocupa mais espaço e mais intensamente se anima. Seu caráter, porém, é tão rico e tão completo que alguns perfumes apesar de tudo conseguem abrir seu aperto complexo e nobre, acompanhados de uma efervecência repentina da música que emerge como um cimo de colina.


Romântica com as samambaias e uma atmosfera de vegetação rasteira, apoiada pelo retorno à reserva do espaço musical, ela se põe a sonhar com o passado, exalando essências de frutas exóticas e de baunilha.


Franca e direta ao paladar, ela exibe uma natureza ainda intransigente, sustentada por efervescências musicais.


Mas, sob essa firmeza juvenil, pode-se revelar ternura e sobretudo nobreza, que o piano, retomando a melodia da abertura, destaca num final sereno e brando, carregado de fluidez.


Se no momento o prazer se satisfaz com o frescor e a vivacidade, sua forte personalidade augura grandes alegrias num futuro bem próximo.








Il Vino y su Música

Le Vin & Sa Musique, Harmonies bordelaisesEl Vino y su música, harmonías de Burdeos – de Ylan Schwartz, es un libro insólito, prácticamente surrealista. Es, sin duda, una demostración clara de la capacidad de imaginación humana de combinar (o por lo menos intentar) lo imponderable: en este trabajo el autor representa o combina con música mas de setenta grandes añadas.


Así es como Ylan expone su trabajo :

Nació en mí, en 1985, la idea de establecer un puente entre el vino y la música. Entré en contacto con produtores de Grand Cru e les solicite una docena de grandes añadas que yo habia selecionado. Inmediatamente propuse a colegas del Grupo Degustateurs du Grand Jury analizacen los vinos a ciegas, usando el método de degustación que habia estabelecido.


Realizada esta selección, busque el perfil musical que pudiese corresponder a la personalidade de esos vinos, mas o menos como si dirigiese una receta de cozinha, una pizca de Haydn, la energía de Beethoven, la profundidad de Shubert y algunos toques de la claridade solar de Mozart.


Definí después algunas equivalencias entre las dominantes degustativas y las dominantes sonoras, a saber:

entre el cabernet sauvignon y el violín

entre el cabernet franc y la viola.

entre el merlot y el violoncelo.

Municiado de esas “recetas”, oi dezenas de obras hasta encontrar aquella que expresase lo más próximo a la personalidad del vino. Finalmente busqué expresar por escrito mis impresiones tanto del vino como de su música.


Para completar la tarea, me restava combinar los dos textos. Así nació este livro.


Mi propósito fué hacer que el lector enfrente la vorágine de sus sentidos de modo que tenga la sensación de pasar de los colores a los sabores, de los sonidos a los perfumes, como si estuviese obligado a degustar al unísono El Vino y su Música.

Vea abajo dos muestras de la inspiración eno-musical de Ylan.


Château Pichon Longueville - Comtesse de Lalande 83

Felix Mendelsshon-Bartholdy: Cuarteto de cuerda nº 1, en re mayor, opus 4, 1er movimiento.





Color de granada muy acentuada y de aspecto luminoso, la vestimenta aterciopelada de este vino bastante joven pronostica encanto y vivacidad, tamaño es el impulso de este primer movimiento rápidamente conducido por el primer violín.


Joven y fresco, la “nariz” tiene bella nobleza de apariencia, bien femenina. Intenso y fuerte, ofrece aromas de flores del campo en un maravilloso final de violeta. La gracia, la elegancia, la vivacidad del tema musical responden harmoniosamente a esta impresión floral y refinada.


En el paladar, el ataque es vivo, franco, firme y musculoso como una bailarina, encontrando eco maravilloso en el impulso de todas las cuerdas.


El terrible verano del año 1983 donde los elementos se desencadenaron hizo nacer esta joven e intrépida amazona, inquieta y apasionada.


Los sabores de flores silvestres, suaves, el buqué refinado y deliciosamente perfumado sugieren un soberbio terciopelo tejido de flores olorosas, con efluvios magníficos de violeta entrelazados en las mallas.


Como esta música ágil, joven, romántica y graciosa, el paladar da pruebas de una feminidad sensual, rica de expresión, elegante, bastante misteriosa y decidida.


Este millesime 83 es el romanticismo del femenino, soberbiamente expresado por el timbre e impulso del violín.



Domaine de Chevalier 81

Grand cru classé

Sergueï Rachmaninov:

Estudios-cuadros nº 2 em lá menor op. 33.







Esta naturaleza joven y altiva, de constitución esbelta y bien delineada, aún está llena de sí misma.


Mientras el piano, muy sereno, suelta una música etérea, cristalina y transparente, ella presenta una vestimenta de tejido limón claro, orlada de oro verde bien pálido.


Bastante reservada, aun avara de expresión, ella oculta celosamente el corazón de su personalidad aromática, mientras la música, crescendo, ocupa más espacio y se anima con más intensidad. Su perfil, sin embargo, es tan rico y tan completo que algunos perfumes a pesar de todo consiguen abrir su apriete complejo y noble, acompañados de una efervescencia repentina de la música que emerge como una cima de colina.


Romántica con los helechos y una atmósfera de vegetación rastrera, apoyada por el retorno a la reserva del espacio musical, ella se pone a soñar con el pasado, exhalando esencias de frutas exóticas y de vainilla.


Franca y directa al paladar, ella exhibe una naturaleza aún intransigente, sustentada por efervescencias musicales.


Pero, bajo esta firmeza juvenil se puede revelar ternura y principalmente nobleza, que el piano retomando la melodía de la apertura, destaca en un final sereno y blando, cargado de fluidez.


Si en el momento el placer se satisface con el frescor y la vivacidad, su fuerte personalidad augura grandes alegrías en un futuro bien próximo.





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